Mouse completa 40 anos

Há quase 40 anos era apresentado ao mundo o mouse, ferramenta que revolucionou a interface física entre usuários e computadores --hoje, quase umapeça de museu.

Em 1º dezembro 1968, na conferência "Joint Computer Conference" (veja vídeo), realizada em São Francisco (oeste dos EUA), o engenheiro Douglas Carl Engelbart, hoje com 83 anos, realizou a primeira demonstração pública do "X-Y Position Indicator for a Display System", que pouco depois foi chamado de "mouse". O protótipo tinha quase o dobro do tamanho dos que são fabricados atualmente. Possuía apenas um botão de comando e seu corpo era feito todo em madeira, além de ter um cabo que o conectava ao computador instalado na parte traseira. Naquela época, no entanto, aparência era o que menos importava. Sua função --interagir de maneira mais rápida e precisa com os computadores-- ditou os caminhos que seriam seguidos pelos desenvolvedores de sistemas operacionais, principalmente os que utilizam janelas e ícones.

A história provou que a criatura superou as expectativas de seu criador. Dado o sucesso de sua invenção, Engelbart patenteou o mouse em 1970 e cedeu os direitos para o Instituto de Pesquisa da Universidade de Stanford, que, mais tarde, os vendeu à Apple. "Hoje, teoricamente, qualquer coisa pode ser substituída. Mas, se analisarmos a evolução do mouse ao longo dos anos, podemos notar que o princípio de funcionamento é o mesmo, apenas novos conceitos são adicionados ao que já existe", avalia.

Rafael Montello, gerente de Marketing e Produtos do grupo Leadership, diz que "a indústria trabalha para extinguir este dispositivo, revolucionando a forma de relacionamento com os computadores". Ele ressalta que telas sensíveis ao toque, reconhecimento de voz e movimento são algumas das tecnologias que devem enterrar o "rato". O criador do mouse, Douglas Engelbart, reconhece a ameaça de novos dispositivos mas defende seu "filho". "Eu poderia citar um monte de tecnologias, mas não sei dizer ao certo se ele poderia ser ultrapassado. Muitas delas demorariam muito para cair no gosto popular. Reconhecimento de voz? Não consigo imaginar as pessoas em geral ditando ordens ao computador, é muito cansativo."