Não basta navegar, é preciso lançar as redes!
Categoria Buscai coisas do alto em sábado, 1 de novembro de 2008
Odres Novos para um Vinho Novo
No princípio!
A aproximadamente 3.500 anos atrás, Moisés recolhe pequenas tábuas de madeira ao longo do deserto do Sinai (cf. Ex 34,28) e neles começa a colocar por escrito a mensagem divina. Quinze séculos mais tarde, décadas após a ressurreição de Cristo, o apóstolo João, exilado na Ilha de Patmos, conclui em pergaminhos (peles de carneiro ou cabras) os textos da Bíblia, que mais que um Livro que fala de Deus, nasceu para ser Deus falando conosco! É neste ponto que se inicia a grande aventura daqueles que de muitas e diversas formas, vêm comunicando, ao longo da história, e com o auxílio dos meios de comunicação, esta mensagem divina que alcançou os tempos da Internet.
A evolução da Comunicação
Nos séculos seguintes a conclusão da Bíblia (em 100 d.C.), a humanidade vai fazendo novas e maravilhosas descobertas, e a comunicação e a didática de aprendizado vai ganhando novos recursos e novos costumes! O anúncio divino, por sua vez, vai acompanhando este desenvolvimento histórico: Com a descoberta do papiro, que originou o papel, a escrita religiosa encontra o material ideal para registrar os seus densos volumes de letras e livros, de tal forma que quase a totalidade da matéria prima de papiro fornecida pela cidade grega de byblos, era destinada as publicações cristãs, tanto que o nome da cidade originou o nome pelo qual a Sagrada Escritura é popularmente conhecido, "bíblia". Com a valorização da dialética e da palavra anunciada de voz viva, surgem os grandes oradores, e entre estes destacam-se os oradores cristãos, que pelos discursos e prédicas espirituais marcaram a história da humanidade na era conhecida como "o tempo dos padres da Igreja" (ou patrística); destacam-se, Santo Inácio de Antioquia, Santo Irineu, São Jerônimo, São João Crisóstomo, Santo Agostinho, etc. Nos séculos da navegação (XIV-XV), novas terras eram descobertas e juntamente com as missões desbravadoras, ali estavam missionários cristãos, levando a mensagem de Cristo através desta nova forma de colonizar o mundo. No século XV, Johann Gutemberg fazia experiências com tipos de móveis de metal para imprimir livros e terminou por inventar a máquina tipográfica, onde um grande número de livros podia ser produzido rapidamente e com custo relativamente baixo, pois até então cada cópia era feita demoradamente à mão; e o primeiro livro impresso mecanicamente foi exatamente a Bíblia, em 1456; nascia assim a imprensa... Na segunda metade do Século XX, quando a humanidade já demonstrava sinais que estava inaugurando um tempo marcado pelas comunicações, o Papa Paulo VI, como pastor atento ao pasto das ovelhas, convoca e motiva a Igreja a se utilizar do "mass média" (meios de comunicação social) como instrumento a serviço da verdade, justiça e amor; e o fez através de uma Exortação Apostólica memorável: a "Evangelii Nuntiandi"! Por esta época, viu-se surgir na Igreja - assim como estava surgindo em várias instituições desta sociedade moderna - um sem número de novas rádios, publicações e associações diversas, com uma tarefa específica de especializar-se no ofício de comunicar-se! Um pouco depois é a televisão que se torna o meio mais popular de comunicação e a Igreja também a utiliza como voz de Deus, inicialmente através de pequenos programas matinais veiculados no Dia do Senhor (o Domingo) e posteriormente chegando a redes 100% católicas, disponíveis via satélite em território nacional e estrangeiro. Posteriormente a TV, inclui-se a mídia áudio-digital, onde através dos chamados discos pequenos (Compact Disc), inventados no fim do século, a Igreja, seguindo uma tendência mundial, viu-se inspirada a lançar uma quantidade surpreendente de Bandas e músicos com seus trabalhos de anúncio através da música cristã.
A Internet
No início do Século XXI, a expressão mais atual e mais promissora dos meios de comunicação, chama-se computador; e a responsável por esta expectativa é a "Internet"! A história da informática e, por consequência, da internet, é bem antiga, mas não tanto quanto a Igreja, por isto esta tem acompanhado, não como estudiosa, mas como usuária, o desenvolvimento desta ferramenta de comunicação. Desenvolvimento este que vem desde as suas versões primitivas, caso da primeira cauculadora mecânica inventada pelo matemático, físico e filósofo francês Blaise Pascal, em 1642; passando pelo primeiro computador eletrônico de grande porte, o Eniac, construído em 1946 na Universidade da Pensilvânia, que apresentava 18.000 válvulas e ocupava o espaço de uma sala; chegando até a época dos transistores, microprocessadores e chips, que a partir do início da década de 80 permitiram a miniaturização e popularização dos computadores, o que viabilizou a expansão da Internet. A Internet começou a surgir no final da década de 1950, no auge da guerra fria. O departamento de defesa Norte- americano começou a ficar preocupado com o que poderia acontecer com o sistema nacional de comunicação, em caso de guerra nuclear. Era óbvio que a manutenção a manutenção das comunicações seria vital para manter o equilíbrio numa guerra mundial. Em 1962, Poul Baran, um pesquisador da RAND pensou em uma solução em um antigo chamado “On Ditribuited Comunications Networks”.Ele propunha uma rede nacional de computadores ligados entre si usando uma rede descentralizada. Mesmo a distribuição de um ou mais nós, esta rede permaneceria dinamicamente ajustada para continuar suas comunicações. A proposta foi discutida, desenvolvida e expandida por vários membros da comunidade de informática. Em 1969,a primeira “packt-swiching network” foi fundada na “Advenced Research Projects Agency”ARPA do Pentágono e considera-se esta a data de fundação da Internet. O nome Internet propriamente dito surgiu bem mais tarde, quando a tecnologia da ARPAnet passou a ser usada para conectar universidades e laboratórios, primeiro nos EUA e depois em outros países. O correio eletrônico é o recurso mais antigo e mais utilizado da Internet. Qualquer pessoa que tem um endereço na Internet pode mandar uma mensagem para qualquer outra que também tenha um endereço, não importa a distância ou a localização. Não é necessário pagar individualmente as mensagens enviadas. No princípio a Internet compreendia praticamente este recurso, visto que só era possível usar textos. Durante cerca de duas décadas a Internet ficou restrita ao ambiente acadêmico e científico. Em 87 pela primeira vez foi liberado seu uso comercial nos EUA. Mas foi em 92, coma criação da Web, que a rede virou moda. Começaram a aparecer nos EUA várias empresas provedoras de acesso à Internet. Centenas de milhares de pessoas começaram a pôr informações na Internet, que se tornou uma mania mundial. A Web, por sua vez, nasceu em 1991 e "pegou" rápido. Em 93 já era comum em universidades que estudantes fizessem "páginas" com informações pessoais. O que determinou seu crescimento foi a criação de um programa chamado Mosaic, que permitia o acesso à Web num ambiente gráfico, tipo Windows. Antes do Mosaic só era possível exibir textos na Web. A sigla WWW significa “World Wide Web” que traduzindo significa “Grande Teia Mundial”. Hoje é o seguimento da Internet (visto que ela compreende também o "correio eletrônico", o "chat", as "listas de discussão" e o "ftp") que mais cresce, visto o seu potencial informativo, formativo e comercial; que brota da possibilidade de juntar texto, imagem e som de forma criativa e acessível. Em 95 foi liberado o uso comercial da Internet no Brasil. Daí surgiram os primeiros provedores de acesso comerciais à rede. O Ministério das Comunicações e o Ministério da Ciência e Tecnologia criaram um Comitê Gestor Internet, com nove representantes, para acompanhar a expansão da rede no Brasil. A Web vem se espalhando rapidamente no Brasil. A taxa de crescimento é avaliada em aproximadamente 30% ao mês.
Tudo é permito, mas nem tudo convém (1Cor 6,12)
Mas a Internet - assim como todo instrumento colocado nas mãos dos homens - também tem os seus riscos. A necessária democratização da informação tem várias implicações: quando cada um pode lançar sua home page no ar, é importante discernir a qualidade da informação; o drama da liberdade na Intenet é que nem todo mundo é bonzinho. Na verdade, em muitos casos, esta liberdade de expressão serve para proteger alguns mal intencionados, que não têm compromisso nenhum com a verdade ou o bem comum. Para diferenciar a fonte de informação boa ou má, temos de aumentar nosso censo crítico, pois o pensamento crítiico é algo exclusivo do ser humano. Para o cristão ainda há um outro auxílio, o dom de santificação da "ciência", onde através do qual o Espírito Santo nos ajuda a distingirmos o bem que devemos fazer do mal que devemos evitar. Também hoje, como uma instrução clara e decisiva, cabem aquelas palavras deixadas pelo pastor das ovelhas católicas em Dezembro de 1975: "No nosso século tão marcado pelos 'mass média' ou meios de comunicação social, o primeiro anúncio, a catequese ou o aprofundamento ulterior da fé, não podem deixar de se servir destes meios. Postos a serviço do Evangelho, tais meios são susceptíveis de ampliar, quase até o infinito, o campo para poder ser ouvida a Palavra de Deus e fazem com que a Boa Nova chegue a milhões de pessoas. A Igreja viria a sentir-se culpável diante do seu Senhor, se ela não lançasse mão destes meios potentes que a inteligência humana torna cada dia mais aperfeiçoados. É servindo-se deles que ela 'proclama sobre os telhados', a mensagem de que é depositária. Neles encontra uma versão moderna e eficaz do púlpito. Graças a eles consegue falar às multidões. Entretanto, o uso dos meios de comunicação social para a evangelização comporta uma exigência a ser atendida: é que a mensagem evangélica, através deles, deverá chegar sim às multidões de homens, mas com a capacidade de penetrar na consciência de cada um desses homens, de se depositar nos corações de cada um deles, como se cada um fosse de fato o único, com tudo aquilo que tem de mais singular e pessoal, a atingir como tal mensagem e do qual obter para esta uma adesão, um compromisso realmente pessoal" - Papa Paulo VI, Evangelii Nuntiandi, 45.
Não basta navegar!
Depois de revermos um pouco da história da comunicação, desde as tábuas de Moisés as páginas na Internet, podemos perceber esta sintonia que a Igreja consegue manter com os meios de comunicação modernos. É como já disse João Paulo II, às vésperas do milênio em que vivemos: "Uma nova evangelização! Não no conteúdo, mas no método!"...E dizendo mais - por ocasião do 36º Dia Mundial das Comunicações Sociais em 2002 -; o Santo Padre deixou uma instrução decisiva para os cristãos que acessam a Web: "A Internet faz com que bilhões de imagens apareçam em milhões de telas de computadores no planeta inteiro. Desta galáxia de imagens e sons, emergirá o rosto de Cristo e ouvir-se-á a sua voz? Porque somente quando vir o seu rosto e ouvir a sua voz, é que o mundo conhecerá a boa nova da nossa redenção. Esta é a finalidade da evangelização. E é isto que fará da Internet um espaço autenticamente humano, porque se não houver lugar para Cristo, não haverá lugar para o homem. Por conseguinte, neste Dia Mundial das Comunicações, ouso exortar toda a Igreja a ultrapassar com coragem este novo limiar, para se fazer ao largo na "Net", de tal maneira que no presente, assim como foi no passado, o grande compromisso do Evangelho e da cultura possa mostrar ao mundo "a glória de Deus e o rosto de Cristo" (2 Cor 4, 6). O Senhor abençoe todos aqueles que trabalham em ordem a esta finalidade." - Papa João Paulo II, Internet, Um novo foro para a proclamação de Evangelho, 5.
Fonte: Linaldo B Nascimento, Blog Comunidade Ave Maria, 2006
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